X-static process ou ex-processo estático

Que saudades eu estava do blog! Um mês e meio longe! Foi um misto de férias com processo interno. Por um lado foi um período de grande desenvolvimento, de envolvimento com um projeto muito antigo, que futuramente falarei dele.

O título desse post é de uma música (veja a letra aqui). Quantas vezes nos sentimos amarrados, presos, caídos?

Madonna - X-static pro=cess - fonte: Google Imagens

O tempo passa, o motivo que nos prende já passou, mas ainda estamos agarrados à atitude, à postura, ao hábito. O mundo psicológico e emocional fervilha, e toda vez que está muito quente internamente, um vulcão entra em erupção e destrói muita coisa. Isso é fruto de um complexo que foi ativado, constelado. Às vezes rejeitamos algo justamente porque aquilo tem a ver com a gente e não nos damos conta, e renegando algo estaríamos numa tentativa de expulsar aquilo que odiamos em nós. É a tal da projeção. Eu não curto muito a música que falei acima. Mas ela aborda algo que é um aspecto sombrio, pelo menos em mim.

Temos a tendência a varrer a poeira pra baixo do tapete quando o assunto é nossa sombra. Não nos damos conta, não buscamos conhecer, e podemos sucumbir a ela. A música fala de um relacionamento onde o eu lírico entrou em submissão, esquecendo que também tinha coisas boas a oferecer, ficando dependente e venerando o parceiro.

Já vivi um relacionamento muito nocivo assim, justamente na época que essa música foi lançada. Esse é um casamento propriamente dito. Mas com quantas coisas ou pessoas nos “casamos” e deixamos de ser quem somos? “Casamos” com diplomas, títulos, empregos, sócios (nesse item eu sofri!!), amigos, inimigos, familiares, situações familiares… Nos agarramos a isso e não mudamos. Ou achamos que estamos errados e o que o outro sabe e nos diz é melhor para a gente ou esperamos que a solução de tal coisa/situação nos liberte para seguirmos rumo ao que sabemos que queremos, mas não temos coragem de buscar – e essa espera pode ser eterna. Claro que isso não acontece com todo mundo. Mas com quem acontece é uma experiência muito ruim, podendo ser (auto)destruidora.

Quando não sabemos ao certo quem somos, ou nem buscamos saber, vamos nos moldando, nos adaptando àquilo que o outro diz ou acha que somos. Se não sabemos o que pedir do cardápio, e deixamos o outro nos dizer o que comer, corremos o risco de comer testículos de boi.

Com o passar do tempo, ou sucumbimos a isso, desperdiçando o viver, ou o chamado interno irrompe e nos leva à mudança de paradigmas e atitudes. Buscamos coisas que nos dão prazer. Que nos levam ao sentimento de auto-realização. E é preciso flexibilidade.

Madonna - X-static pro=cess - fonte: Google Imagens

Muita flexibilidade.

Madonna - X-static pro=cess - fonte: Google Imagens

Essas fotos fazem parte da intervenção X-STaTIC PRO=CeSS, de 2003, de Steven Klein e Madonna, que leva o título da canção da cantora. Nunca gostei muito das fotos. Elas são cruas, em local feio. Mas é preciso flexibilidade para lidar com a sombra. Com aquilo que nos prende. As fotos e as músicas estavam me dando um recado, mas eu não havia me dado conta. Justamente porque não queria lidar com a aridez interna. São feridas áridas. Oi?! Metáfora esquisita. Mas é lidar com a crueza interna, com o local feio interno. Com a sombra.

Fazer as pazes consigo é buscar o mito do significado, dar ouvido ao chamado interno, fazer aquilo que gostamos, ou que sempre quisemos fazer mas não tivemos coragem, ou até mesmo fazer a correção do desvio de rota ocasionado pela vida. E é preciso flexibilidade, porque sei lá, de repente não é todo mundo que consegue fazer uma mudança de 180 graus do dia pra noite, nem de um mês para o outro.

Estava me referindo até agora ao quesito profissional, mas vou me dirigir agora para o quesito reeducação alimentar e adesão à atividade física.

Sempre bato na mesma tecla aqui: a auto-estima não deve depender do peso, mas a saúde depende do peso. E sempre falo também que comer pode ser um vício, e deve ser encarado como tal. Um alcoolista que frequenta os Alcoólicos Anônimos sabe que quando ele for numa festa, não deve beber, e que os familiares e amigos devem estar atentos para que a bebida não esteja presente, ainda mais no início da recuperação.

Recentemente uma amiga muito querida me marcou  numa publicação do Facebook que levava a um artigo muito interessante, que falava sobre a beleza do corpo, e mencionava um outro blog tratando do assunto. Não compartilhei na minha página porque um detalhe do texto vai contra tudo o que sempre digo. Não estou sendo rígido, apenas acho que quando o assunto é comunicação, uma frase pode ter um ruído e causar um dano imensurável. Ela e eu fizemos uma boa reflexão a respeito. Ela é uma querida.

O texto debatia a questão do peso, da auto-estima e tal. A certas tantas diz que as pessoas entram numa neura e levam para o restaurante um pote com comida fria e sem cor e não participam do evento. Isso me tomou de um jeito!

Caramba, com o alcoolista não tem todo um cuidado? Com o adicto também não tem todo um cuidado? Por que com o viciado em comida não tem? Mesmo que seja um cara saradão ou uma moça trincada, qual o problema? Por que deve colocar pra dentro uma comida que não fará bem? Apenas para ser sociável? Esse argumento não me convence. Imagine você chegando numa festa com cocaína passando na bandeja de prata. Se você nunca experimentou ou se não é a sua, você faria só porque todos estão fazendo? Provavelmente não. Por que com comida tem que ser diferente? No caso de obesos em processo de emagrecimento (ou manutenção do preso saudável) e até mesmo dos magros também não pode ser diferente.

Lembra que eu estava falando justamente do processo estático? Se ficarmos estáticos, esperando que os outros nos digam o que fazer, comer, pensar, vamos entrar na onda, mesmo que aquilo não nos faça bem, seja cocaína ou alimento não saudável. O cara fica meses lutando, buscando resultado, se exercitando, comendo brócolis e vem a frase “mas uma vez só não faz mal”. “Um gole só não faz mal. Uma cheirada só não faz mal. Um trago só não faz mal”: não é o que dizem antes do estrago da recaída?

Já tive meu momento de revolta em alguns posts sobre esse assunto. Mas hoje o tema é a clareza com que vejo como me maltratei. E que agora, tudo depende de mim. Pra buscar o projeto do passado. Para realizar todos os projetos no presente.

Vamos que vamos, e bon appétit para mim!

PS: A partir da semana que vem trarei uma série de três entrevistas com três lindas inspiradoras.


Para informações sobre atendimento psicológico individual ou em grupo, entre em contato pelo e-mail rodrigo@namesacomrodrigo.com.br ou pela página no Facebook Na mesa com Rodrigo. Rodrigo César Casemiro, Psicólogo especialista em Psicologia Junguiana e Psicologia Hospitalar, CRP 06/65644.

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