“Por que fazer?” x “e por que não fazer?”

Refletindo sobre o tema do post da semana passada, que abordava o mito de significado (aquele sentido que damos para a nossa vida), me deparei com a confrontação entre “por que fazer algo?” x “e por que não fazer algo?”. Estamos tão habituados com a primeira pergunta que nos esquecemos da segunda.

Por que não? Fonte: Google Imagens

Explico melhor, inclusive dentro do contexto do blog, e ainda citando duas frases de duas letras de músicas de Renato Russo e sua Legião Urbana:

  1. “Disciplina é liberdade” (Há tempos);
  2. “Tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos” (Daniel na cova dos leões).

Quantas vezes almejamos algo e desistimos? Ou mesmo não sabemos a que almejar? A falta de autoconhecimento nos leva a não saber o que desejamos. Fazemos por fazer, e se for agradável, nem nos perguntamos se era isso mesmo o que queríamos fazer. Apenas fazemos. Vamos com a onda, como dizem.

Sair desse movimento de ir com a boiada exige que olhemos para nós, olhemos para dentro, que prestemos atenção naquilo que gostamos, nos nossos interesses – em todos eles. O trabalho é apenas uma das parcelas que compõem a auto-realização. Fazer algo por fazer, se sentir bem por isso é uma coisa. Mas fazer algo que tem a ver com você, que é uma espécie de chamado, que faz do ofício quase um sacerdócio, como diria James Hillman no livro O código do ser, traz um prazer maior ainda, um bônus na auto-realização. É libertador.

Só que pra gente fazer aquilo que gosta tem que ter disciplina. Bem sabem os que se dedicam ao emagrecimento e à manutenção do peso saudável. O difícil não é só a atividade física; é também a reeducação alimentar (super disciplinadora também!) e as mudanças psicológicas no decorrer do processo.

Pra buscar um objetivo precisamos de disciplina; um curso tem como requisito a presença (mesmo que virtual, você deve estar presente na frente do seu computador). Tem que ter dedicação. Mas o peso que as palavras disciplina e dedicação trazem são anulados quando sabemos que estamos fazendo aquilo porque nos dá prazer.

Mas e se eu não quero? Vai de cada um esse despertar. Eu sugiro o autoconhecimento para saber o que gosta e o que não gosta. “Mas o que eu quero não dá dinheiro!”. Tem profissões que realmente trazem menos retorno financeiro. Mas aí entra de novo a disciplina. Quando amamos algo, a disciplina não é pesada. É fato que precisamos nos organizar, saber fazer a gestão da carreira, e esse aprendizado vem com a prática.

Vamos substituir as palavras do parágrafo anterior? Quando estamos curtindo emagrecer, a disciplina não é pesada, e precisamos nos organizar e fazer a gestão do processo, e o aprendizado e as conquistas vêm com a prática.

A preguiça em se conhecer, em escutar o chamado que vem de dentro é fazer da vida um barco a motor no qual insistimos em usar os remos. É não aproveitar o que o mundão sem porteira tem a nos oferecer.

Então alguém pergunta e justifica: “por que emagrecer? Estou bem assim, resolvo um problema de saúde aqui, outro ali, nada muito gritante”. Eu pergunto: “e por que não emagrecer? Diante de todos os benefícios e bem estar que o emagrecimento saudável traz, por que não?”.

Novamente levando para o contexto profissional, “por que estudar? Dá trabalho ir até a escola, dá preguiça, eu me conheço e sei que prefiro ficar aqui em casa”. Mas então nem mencione essa insatisfação que é nítida e que insiste em não falar porque sabe que vai mexer nessa ferida! Mas eu pergunto: “e por que não fazer? Só porque você não se conhece!? Olhe para seus interesses. Os programas de TV que assiste falam de que? Os livros e revistas que procura são sobre que assunto? Que sites você acessa?”. Já é um passo para começar a descobrir de que lado vem aquela voz baixinha do chamado.

É como diz outra música da Legião Urbana: “não é a vida como está e sim as coisas como são” (Meninos e Meninas). Você pode ignorar o desconforto, dizendo que a vida está assim ou assada. Mas você está fazendo a vida ser assim. Virar a mesa requer consciência, não pode ser imprudente, é com planejamento. Mas por que não se libertar das amarras, sejam elas profissionais ou corporais?

Se ainda assim constatar que não faz algo porque está bom assim e não tem prazer na vida, cuidado! Pode ser um quadro depressivo, e um psicólogo ou psiquiatra podem ser consultados. O remédio vai ajudar na bioquímica, e a terapia vai ajudar no sentido da vida. Quantos e quantos pacientes não entram em um quadro depressivo pois não encontra sentido para a vida? Qualidade de vida é inclusive saber o sentido da vida. E isso é muito bom, te garanto!

Como o post da semana passada me levou numa viagem no tempo, lembrei que estamos 20 anos sem Renato Russo. E essa foi minha forma de dizer que sinto a falta dele.

Boa semana e bon appétit!


Para informações sobre atendimento psicológico individual ou em grupo, entre em contato pelo e-mail rodrigo@namesacomrodrigo.com.br ou pela página no Facebook Na mesa com Rodrigo. Rodrigo César Casemiro, Psicólogo especialista em Psicologia Junguiana e Psicologia Hospitalar, CRP 06/65644.

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