Oportunidade e foco

Depois do post da semana passada, Metanóia (ou meia-idade), eu gostaria de escrever sobre o livro O código do ser, de James Hillman; mas para isso, quero fazer uma nova leitura do livro, já que o li há mais ou menos cinco anos. Como a semana que passou, as próximas duas me exigirão foco em um determinado projeto, então tive que sacrificar a leitura, para daqui quinze dias.

É que sou todo metódico em alguns aspectos, e queria fazer a sequência Metanóia, O código do ser, Sincronicidade. Já fica um spoiler dos próximos capítulos, que devem ser publicados a partir de 04 de julho.

Fiquei caçando assunto e numa breve conversa com a Elaine Bombicini, do blog Cartographias da Alma, ela me sugeriu que escrevesse sobre foco; sobre quando temos algo que nos acalenta a alma, acabamos não tendo a necessidade de consumir outras coisas.

E isso foi ao encontro de um rascunho de post que eu tinha. Fica o questionamento: o quanto nos dedicamos a buscar algo que nos acalenta a alma (self, na Psicologia Junguiana)? Isso tem a ver com o post da semana passada, onde explico um pouco sobre self também. Quando ouvimos o chamado para nossa vocação, buscamos aquilo que nos nutre, que nos preenche. Sincronicidade ter visto esta imagem hoje, no Facebook:

Madonna - If you cant say Ill die if I dont do it you should not do it. Source: Cosmopolitan.com

A imagem, que originalmente está no site da Cosmopolitan, traz uma frase da cantora Madonna: “Se você não pode dizer ‘eu vou morrer se não fizer isso’, então você não deve fazer”. E é essa a vibe do chamado: algo dentro de você te impulsiona a fazer algo. Algo que se você não fizer, vai morrer – literalmente (somatizando) ou simbolicamente (ficando apático, indiferente com a vida, deprimido – às vezes esquecendo que um dia teve um chamado para a vocação, nem se lembrando dele mais, num distanciamento de si).

E quando encontramos esse algo, nos envolvemos de tal forma, que o corpo pode não sentir mais aquela fome – a fome por algo que não sabemos o que é, e literalizamos com os alimentos. E de repente, literalizamos também nos alimentando de atividades que não nos preenchem, com empregos que não nos nutrem (e nem nos dá a chance de nutrir através do ofício – algo que falei semana passada). A lista de coisas com que nos alimentamos e não nos nutrimos vai muito além do fast-food, frituras e carboidratos simples. Coloque aí casamento infeliz, medos que nos impedem de sair do ostracismo, da procrastinação, do auto-abandono.

O quanto você quer algo? Como disse Waldemar Magaldi no Congresso Junguiano, enquanto houver dentro de mim alguém cuja vontade de não emagrecer for maior que a do outro alguém que quer, não vou conseguir emagrecer. Temos diversos “alguéns” dentro de nós; explico melhor neste post aqui.

Quando estamos dispostos a ouvir o chamado, as oportunidades aparecem. E aí começamos a fazer as escolhas de acordo com o cardápio; com o que vamos querer nos nutrir? Ao que vamos dirigir nosso foco? As sincronicidades surgem (falei sobre elas na semana passada). Claro que vamos encontrar pedras no caminho, e muitas vezes aquela voz dentro da gente diz pra desistir. Podemos até mesmo encontrar um período de grande escuridão. Mas as coisas podem se rearranjar e nos levar de volta ao pique da realização. Algo surge para nutrir e acalentar a alma, fortalecendo o chamado/vocação.

Pode ser que vamos encontrar pessoas que nos digam: “nossa! Você sumiu!”. Sobre isso eu sempre comento uma frase que um conhecido, Cassiano, dizia a quem estranhava os sumiços dele: “não é que eu sumi. Eu me ocupei com outras coisas!”. Desde a época do Orkut não o vi mais. Obviamente ele se ocupou com outras coisas. Mesmo com alguns sumiços, nossa sorte é que as redes sociais nos aproximam de uma certa forma. E nos propicia mais um canal para sincronicidades, reencontros, e descobertas de nutrientes para a alma… Saibamos nos sintonizar com aquilo que nos nutre.

Bon appétit!


Para informações sobre atendimento psicológico individual ou em grupo, entre em contato pelo e-mail rodrigo@namesacomrodrigo.com.br ou pela página no Facebook Na mesa com Rodrigo. Rodrigo César Casemiro, Psicólogo especialista em Psicologia Junguiana e Psicologia Hospitalar, CRP 06/65644.

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