Campanha pela real beleza + Campanha pela real saúde

Fonte: Google Imagens

A Dove foi fantástica ao tirar o peso de milhões de mulheres (e homens também) ao lançar a campanha pela real beleza. O foco saiu do padrão de beleza anoréxico e partiu para as pessoas diferentes das anoréxicas.

Pensar em si, valorizando a própria real beleza aumenta a auto-estima. Mas para o que quero chamar a atenção é a dicotomia que existe entre corpo e mente. Quando falei que queria emagrecer, ouvi: “não emagreça muito, senão fica feio!” Ou: “nossa, vai frequentar academia, lá só tem gente vazia com músculos inchados”. Ouvi muitas outras coisas, mas vou focar só nestas duas.

Primeiro, estar 40 kg acima do peso não é legal. Joelho sofre, tornozelo sofre. Coração sofre. Auto-estima sofre. Mas e a real beleza? Acho linda a proposta, mas comigo funciona assim: ódio mortal de mim ao ter que comprar roupas, entrar no provador, experimentar G e GG e não servir. Ficar MUITO SEM GRAÇA ao subir um lance de escada e estar ofegante e suando. Ficar deprimido e raivoso consigo ao comer compulsivamente e não ter controle sobre quando parar.

Dos 34 anos que tenho, 17 dediquei exclusivamente à profissão. Entrei na faculdade aos 17, com 5 kg acima do peso. Daí foi uma derrocada. Saí 13 kg mais gordo (total de 18), e durante um relacionamento engordei mais 22. Mas e daí? Estudava, sabia muitas coisas, estava fazendo uma pós-graduação. Mas na frente do espelho… Decidi então estudar a obesidade, e surgiu minha primeira monografia: a auto-imagem corporal como fator de manutenção de um peso saudável. Junto a isso comecei a emagrecer pela primeira vez (e engordei tudo de novo ao ter uma lesão no pé, e ficar desleixado por 3 anos).

Resumidamente, aquela monografia versa, sob um enfoque psicossomático psicanalítico, o processo do emagrecimento e como nova auto-imagem corporal pode favorecer a permanência em um peso saudável. O que acontece é que muitas vezes emagrecemos e não nos vemos magros, não nos livramos das roupas grandes, e acabamos por engordar novamente, por não se reconhecer magro.

Acho que a real beleza também deve focar a beleza interior, a superação das dificuldades, o mérito em alcançar um objetivo, seja ele um diploma, seja ele um processo de emagrecimento – que é um projeto MUITO difícil.

Agora, pergunte a quem emagreceu, e tem aquela foto de antes e depois, tipo os exemplos que citei neste post, o que a pessoa acha da atual real beleza. Acho que não tem que ter sofrimento por estar acima do peso, mas também, uma apologia à obesidade é ruim. Acho que depois de emagrecer, a real beleza e a real saúde incluem a consciência de saber que não se é magro, e sim emagrecido. Isso faz a diferença. Igual a pessoa que frequenta o Alcoólicos Anônimos tem que seguir os 12 passos, o emagrecido também. E ter a consciência que dependendo da festa que frequentar, ou do local, pode ter uma recaída na comilança.

Penso que tem que haver uma integração da campanha pela real beleza com a campanha pela real saúde (que nem sei se existe, talvez tenha inventado esse nome agora). Gordinhos, vamos ao médico. Vamos fazer diversos exames de sangue. Vamos avaliar os riscos cardíacos. Vamos avaliar a circunferência abdominal e ver qual o risco ela oferece ao nosso coração. Vamos avaliar a pressão arterial e ver os riscos para AVC (ou derrame). Vamos ver como estão nossas articulações. Nossa tireóide. E tudo o mais que temos direito.

Esta semana marquei o cardiologista, pois ao fazer musculação, vinha sentindo um desconforto no tórax. Ele pediu exames, e vamos ver no que vai dar. Mas já identificou uma alteração na pressão arterial. Ainda bem que não tenho colesterol, senão, acho que o caldo entornava mais ainda.

Por isso, nessas semanas, estou somente fazendo caminhadas, arriscando uns trotes de corrida, e fazendo aulas de yoga. Vamos aguardar a liberação do cardiologista. Por isso, ao se matricular numa academia, faça, de verdade, uma avaliação médica. Mas com exames.

Voltando à dicotomia mente/corpo, ainda estou no meu caminho de integração, procurando o men sana in corpore sano. E não é fácil a equação de aliar a rotina de trabalho, exercícios físicos, pós-graduação e supervisão da pós-graduação, mais os atendimentos no consultório. Mais cuidar da casa (minha diarista me abandonou). Mais cuidar da alimentação: tenho feito marmitas, pois almoçar na casa da minha mãe é perigoso pelas guloseimas, e em restaurantes também. Mais ler livros. Mais atualizar as músicas do celular. Mais curtir a exposição do David Bowie no MIS. Mais fuçar no Facebook. Mais achar receitas fit. Mais fazer as receitas fit (estou viciado num cupcake funcional!). Mais isso e mais aquilo. E coloque mais leituras ainda para a pós.

Tem pessoas vazias na academia sim. Mas lá não faço muitas amizades. Mas também tem muitos intelectuais vazios, arrogantes. Nenhum dos extremos é bom. Por isso, penso que deve haver uma integração dos pares: mente e corpo. Men sana in corpore sano, né, Da Vinci?!

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